Sermão: O Deus que te faz chorar
Introdução: A Biologia das Lágrimas
Muitas vezes, tentamos esconder nossas lágrimas, mas elas fazem parte da nossa humanidade. As lágrimas emocionais (psicogênicas) são uma resposta natural a fortes emoções, como a tristeza, a alegria, o estresse ou a dor. Estudos indicam que o choro emocional não é apenas um sinal de fraqueza; ele carrega concentrações elevadas de hormônios, como a prolactina e o cortisol, e neurotransmissores. Isso sugere que o choro é um mecanismo divino de alívio do estresse e pode atuar, inclusive, como um analgésico natural. Deus, ao nos criar, nos deu a capacidade de expressar nossa dor através das lágrimas.
1. O Choro da Perda
A Bíblia nos mostra homens e mulheres de Deus que passaram pelo vale das lágrimas devido às perdas profundas.
O drama de Jó: Jó viveu um momento de extrema angústia. Ele abriu a boca e amaldiçoou o dia do seu nascimento (Jó 3:1-3). Em seu sofrimento, ele clamou por justiça, sentindo-se abandonado por Deus: "Se grito: É injustiça! Não obtenho resposta; clamo por socorro, todavia não há justiça" (Jó 19:7). Jó questionou a Deus: "Por que me tornaste teu alvo?" (Jó 7:20), chegando a desejar não ter existido (Jó 10:18-19). Ele sentia que Deus o esmagava (Jó 16:11-14). No entanto, o livro de Jó nos mostra que o Senhor abençoou o final da vida de Jó mais do que o início, restaurando tudo o que ele havia perdido (Jó 1:2-3; 42:13).
A dor de Noemi: No livro de Rute, vemos Noemi perder o marido Elimeleque e seus dois filhos, Malom e Quiliom (Rute 1:3-5). Parecia o fim da linhagem, mas Deus, em Sua soberania, trouxe restauração através de Rute, culminando no nascimento de Obede, pai de Jessé, o pai do rei Davi (Rute 4:17).
O luto de Aías: Também houve o choro da perda diante da enfermidade e morte do filho de Jeroboão, o menino Abias, que foi recolhido pelo Senhor antes que o mal maior viesse sobre a casa, pois nele se achou coisa boa para com Deus (1 Reis 14; Isaías 57:1-2).
2. O Choro do Pecado
Nem todo choro vem da dor externa; parte dele vem da convicção interna do erro.
O exemplo mais claro é o de Pedro. Após negar Jesus três vezes, o Senhor olhou para ele. Pedro lembrou-se da palavra do Mestre e, saindo para fora, chorou amargamente (Lucas 22:61-62). Esse choro não foi o fim de Pedro, mas o início de sua restauração. Como diz o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 7:9-10, a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende. É a tristeza que nos afasta do erro e nos aproxima de Cristo, enquanto a tristeza do mundo opera apenas a morte.
3. O Choro da Salvação
Às vezes, o choro é o caminho para a eternidade. Vemos isso na cruz. Dois criminosos foram crucificados ao lado de Jesus. Enquanto um o insultava (Lucas 23:39), o outro reconheceu a justiça de Deus e a inocência de Cristo, clamando: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino" (Lucas 23:42). A resposta de Jesus foi imediata: "Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso" (Lucas 23:43). Apesar dos insultos de outros, aquele homem encontrou a salvação através do reconhecimento e da fé no Rei, mesmo estando sob sentença de morte.
Conclusão
O nosso Deus não é um Deus insensível. Ele conhece o significado das lágrimas, pois Ele mesmo chorou:
Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro (João 11:35).
Jesus chorou sobre a cidade de Jerusalém (Lucas 19:41).
Jesus sentiu a alma profundamente triste, numa tristeza mortal, no Getsêmani (Mateus 26:38).
Portanto, entenda: se Deus te faz chorar, chore aos pés da cruz.
A boa notícia é que esse choro não é eterno. O Apocalipse nos dá a promessa final: Deus habitará conosco, Ele será o nosso Deus, e "Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Apocalipse 21:1-4).